<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-25719889</id><updated>2011-08-27T22:51:46.305-03:00</updated><title type='text'>Os Marcianos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://osmarcianos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25719889/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osmarcianos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Diego Fagundes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09946443968148022462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5268/2691/1600/webcam4.0.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>1</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-25719889.post-1689424311961812114</id><published>2011-03-15T12:03:00.001-03:00</published><updated>2011-03-15T12:03:42.932-03:00</updated><title type='text'>A Guerra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 17 de junho de 1967, exatamente às 2:13 da manhã, meu avô, Geraldo Ambrósio, acordava assustado com o barulho rouco e espaçado da matraca dos reis. Era Semana Santa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A folia passava pedindo canto para oração, acompanhamento silencioso dos homens e resignação das mulheres. A casa (que resistiu bravamente ao tempo, mas não aos homens) estendia sua entrada de duas pontas: pelo alpendre ou pela cozinha-de-fora. Nesse dia, a folia ladeou todo o redor da construção, veio dar na janela do quarto de Seu Geraldo, muito meu avô, deu as costas para a goiabeira pálida do fundo do pomar e anunciou sua chegada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Horas antes de ser acordado, conversava meu avô na sala e ficava sabendo de uma guerra que estava acontecendo agora, naquele exato momento. Minha mãe (então criança) provavelmente lhe veio pedir que dormisse, que já era tarde; ele se levantou, levou-a ao quarto, disse que ficasse lá, que já vinha. Meu avô nunca tinha visto uma metralhadora, mas conhecia barulho de tiro. Dormiu preocupado: e se chegasse a guerra ali, naquele canto? Com costume mineiro que eu absorvi, antes de se recolher ainda perguntou à visita: “Ô, justo fica... Mas periga a guerra chegar aqui, não?”. A visita negava, era longe, não havia o de quê se preocupar. Pouquinha dúvida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas foi com desconfiança que recostou a cabeça no travesseiro naquela noite. Meu avô nunca soube onde ficava o Egito. Talvez soubesse que era longe, mas quanto? E se os soldados se perdessem do batalhão e viessem parar em Espírito Santo do Dourado? E se confundissem a casa com um silo? Ele não falava egípcio, nem israelense, nem inglês – como ia se explicar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu avô sequer soube que naquele 17 de junho a guerra já tinha acabado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A matraca soou e o ruído dentro do quarto abalou a paz tênue de Seu Geraldo; pálido, podia jurar que estavam já entrando em casa, com metralhadoras e granadas em mãos. Minha mãe o tentaria acalmar: “Ô pai, o senhor deita, não é nada não. É a matraca, vieram tocar”. Ele suspirou, demorou-se. Por fim, entendeu que estava mesmo no canto dele; e ali, dentro do quarto, dentro da sua cabeça, não havia guerra, nem tiro, nem perturbação. Debruçou-se na janela junto das filhas (a mesma janela onde a esposa perdera os anéis e a vida logo depois do raio mais forte e mais triste que já haviam presenciado naquela casa) e ouviu os violões e o canto. Depois ainda ralhou com os cachorros na porta da cozinha. “É o que não presta, podiam ter entrando dentro do quarto e esses não latiam nada. É o diabo!”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tempo em que as coisas eram absolutamente possíveis.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/25719889-1689424311961812114?l=osmarcianos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://osmarcianos.blogspot.com/feeds/1689424311961812114/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=25719889&amp;postID=1689424311961812114&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25719889/posts/default/1689424311961812114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/25719889/posts/default/1689424311961812114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://osmarcianos.blogspot.com/2011/03/guerra.html' title='A Guerra'/><author><name>Diego Fagundes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09946443968148022462</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://photos1.blogger.com/blogger/5268/2691/1600/webcam4.0.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
